Me recordo como se fosse hoje a primeira vez em que senti aquele cheiro da planta verde de milho picada, o barulho da colhedora e o pisoar do trator naquele monte de forragem no terreirão. Esse fato ocorreu em 1996, quando meu tio (Tio Miro), assumindo a fazenda de meus avós (Fazenda Santa Catarina) começou a inovar naquela propriedade, plantando 10 alqueires de milho para confinamento de 100 cabeças de gado de corte. Naquela época, aos meus 15 anos de idade, a maior empolgação era de estar em cima do trator para pisoar aquele monte de forragem, jamais imaginaria que a arte de fazer silagem estaria dentro de minha profissão!
Em 2001, ingressei na Universidade, curso de zootecnia na UNESP em Jaboticabal. Como todo “bixo”, cheguei com vontade de ser o peão da faculdade e o desejo era “mexer” com boi. Que ilusão, pois o professor apenas aceitava estagiários a partir do 3º ano, tive que me contentar com o estágio de lavar vidrarias no laboratório de química! Em Jaboticabal morava em uma pensão – Pensão da Dona Dora, onde lá por sorte do destino conheci um grande amigo e irmão, Thiago Bernardes. Chegamos naquela pensão na mesma data, porém o Thiago ali já estava para cursar o mestrado. Imaginem o privilégio para um “bixo” morar com um mestrando!
Certo dia, Thiago me convidou para fazer estágio com ele e trabalhar com silagem. Na hora pensei: Silagem? O que é isso? E que futuro isso pode me dar? Queria “mexer” com boi! Mais aceitei, porque moer amostra era melhor que lavar vidraria, apesar de também ter lavado muita vidraria nesse estágio. Brincadeiras à parte, nesse estágio que comecei a aprender um pouco sobre o que realmente era silagem e todas possibilidades que por detrás dela existiam. E a partir desse estágio, a silagem não saiu mais da minha vida, ingressei no mestrado, logo em seguida no doutorado, sempre ao lado da silagem.
Foi na época da pós-graduação na ESALQ/USP que também surgiu uma pessoa muito importante na minha vida, que me ajudou muito em mostrar o caminho correto e dar dicas para sempre alcançar meus objetivos, Professor Luiz Gustavo Nussio, ou como chamamos, Bambu. Apesar do professor Nussio saber muito de silagem, o que mais aprendi com ele foi como PENSAR!
Finalizei o doutorado e fui trabalhar na empresa privada, fiquei por alguns meses na Agroceres Multimix trabalhando como nutricionista de ruminantes, até que surgiu uma oportunidade na DeLaval de liderar o portfólio de nutrição, sendo grande parte do foco trabalhar com silagem! E aqui na DeLaval já completo 6 anos de trabalho, onde também sou muito grato a essa empresa que me proporcionou e ainda me proporciona o maior laboratório de silagem do mundo, a vida no campo! Digo a você que muito do que aprendi na Universidade, reaprendi no campo, muitos conceitos mudaram e acredito que essa é a maior virtude da vida, tudo está em movimento e todos nós precisamos nos movimentar. A minha maior sorte é poder utilizar os conceitos aprendidos na Academia, somar com a arte de PENSAR no problema do produtor e gerar a melhor solução para determinada situação, sem receita de bolo!
O objetivo desse artigo era para você conhecesse um pouco da minha história com a silagem, eu no começo não queria ela e agora não à largo mais! Também para que saiba que o Doctor Silage foi criado para levar mais e melhor informação a produtores e técnicos. Você nos encontra no Facebook, Instagram, YouTube, grupo de whatsapp e agora aqui no DoctorSilage.com.
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Rafael AmaralGerente de produtosLallemand Animal Nutritionrcamaral@lallemand.com |


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